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Os cães e seus trabalhos

Por Claudia Pizzolatto


Embora a grande maioria dos cães domésticos só tenha tido a oportunidade executar tarefas extenuantes como caçar um pedacinho de sol para deitar com a barriga para cima, guardar um bola de meia velha, desencavar ossos esquecidos, puxar as pessoas pela rua com tração nas quatro patas, ou farejar restos de frango de padaria no lixo, ninguém dúvida da capacidade destes animais de serem treinados para desenvolver trabalhos de grande valia para os humanos. Parece que desde sempre - afinal já fazem alguns mil anos que humanos e caninos convivem juntos - cães foram criados e selecionados, principalmente, para desenvolver tarefas que os seres humanos teriam muito mais dificuldade de conseguir sem a ajuda deles.

Quando falamos de cães de trabalho, a maioria deve se lembrar de cachorros que caçam, pastoreiam, guardam, ou que guiam pessoas com deficiência visual, mas eles fazem muito mais do que isso, alguns com verdadeiras especializações, e com alguns detalhes que podem ser bastante curiosos.

Os cães de caça podem ser mais especializados do que muita gente pensa. Algumas raças, como os Pointers ou Setters, são mestres em achar a caça e ficar apontando para que os caçadores possam abatê-las, ainda no chão. Já os cãezinhos do grupo dos terriers foram criados para desentocar animais que fazem seus ninhos debaixo da terra. O Fox Terrier, por exemplo, tem seu nome graças a sua função original de caçar raposas (fox em inglês). Tem ainda os cães farejadores, que são imbatíveis na arte de achar uma presa através do seu rastro. Normalmente eles caçam em grandes grupos e são bastante animados e barulhentos, exatamente como os nossos pequenos Beagles, ou Basset Hounds. Já os "retrievers" como o Golden Retriever ou o Labrador, têm a função de trazer a caça, já abatida, para as mãos do caçador. Eles ficam sentadinhos ao lado de seus donos e assim que ele ouvem o som do tiro já ficam agitados. Logo que o caçador libera o cão ele parte em disparada, procurando a ave abatida e trazendo-a de forma gentil. Os spaniels - Cocker Spaniel Inglês, ou Springer Spaniel, por exemplo - são cães que espantam a caça, fazendo com que elas levantem vôo para que os caçadores possam atirar. E por incrível que pareça também tem cachorros pescadores, atividade do Cão D’água Português e que também já foi do Labrador, que originalmente ajudava a recolher e puxar as redes de pesca nas águas geladas do Canadá. Com tanta especialização, não é raro ver caçadores usando mais de uma raça para caçar. Assim, você ainda pode ver na Inglaterra um bando de Fox Hounds (um tipo de Beagle com a pata mais longa) farejando raposas, e quando finalmente são encurraladas os caçadores soltam os pequenos Jack Russell Terriers para desencavá-las. O fato de uma raça ser especialmente habilidosa para uma tarefa não quer dizer que o cão não possa ser treinando para diferentes estilos de caçada. Assim, um Labrador pode ser além de retriever um ótimo espantador da caça, ou um Weimaraner que pode apontar a caça e também traze-la para o seu dono depois de abatida. Ah! Já ia quase me esquecendo. Existe também raças especializadas em "caçar" seres humanos. É o caso do Bloodhound, que até hoje é muito usado não só para caçar fugitivos, como também para encontrar o rastro de crianças perdidas ou de pessoas raptadas. Existem documentos que provam que um destes cães foi capaz de seguir, com sucesso, uma trilha depois de 100 horas que a pessoa havia passado pelo local, e não é raro ver cães que farejam por cerca de 40 quilômetros sem parar uma única vez.

Tal como os caçadores, os cães pastores também possuem suas especializações. Existem basicamente dois tipos de cães pastores. Aqueles que conduzem o rebanho e aqueles que guardam o rebanho. Cachorros que conduzem o rebanho podem ter uma maneira "agressiva" ou gentil de conduzir os animais. Eles se adequam principalmente com o tipo e tamanho do animal a ser pastoreado. Por exemplo: O Boiadeiro Australiano, ou Autralian Cattle Dog, é especializado no pastoreio de gado e por isso ele costuma morder os calcanhares e o focinho dos animais (eles não mordem para machucar pra valer, mas apenas para se impor e guiar o gado), já os pastores de ovelhas, como o Pastor de Shetland, o Collie, ou o Old English Sheepdog, já costumam ser mais gentis como seu rebanho. Estes cães são normalmente bastante ativos e muito ligados aos seus donos. Os cães pastores que guardam o rebanho do ataque de outros predadores e mesmo de ladrões costumam ser criados muito mais próximos ao rebanho do que de seus donos. Muitos são inclusive parecidos com os animais que eles vão pastorear. É o caso do Komondor, do Pastor dos Abruzzos

Ainda fazendo parte dar raças que executam trabalhos mais conhecidos estão os Huskies, Malamutes e Samoiedas que puxam trenós. Os cães de guarda de pessoas e propriedades como o Rottweiler, o Doberman e o Boxer, sem falar nos Pastores Alemães e Pastores Belgas, mundialmente utilizados como cães da polícia. E por falar em cães de guarda e cães de polícia, muitas raças foram colocadas a toda prova durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Nestas guerras muitos cães foram usados para levar e trazer mensagens no "front" de batalha, para encontrar feridos, para montar guarda nos acampamentos, além de farejar e encontrar bombas e minas. Na Primeira Guerra Mundial um American Staffordshire Terrier chamado Stubby se destacou tanto por seus serviços prestados que foi promovido ao posto de Sargento.

Hoje em dia podemos encontrar cães trabalhando nos aeroportos farejando drogas e comidas contrabandeadas. É famosa a Brigada Beagle do aeroporto de Miami, conhecidos por seus narizinhos bisbilhoteiros, eles não deixam nenhum tipo de alimento clandestino entrar no país, sejam frutas, legumes, ou salsichas, é claro!

Muita gente sabe que cães são usados para localizar e resgatar pessoas no meio de escombros e de grandes desastres, mas o que muitos não sabem é que as equipes de resgate são na verdade divididas em duas equipes distintas. Tem cães que são treinados para achar apenas corpos, ou seja, quando não existe mais nenhum sobrevivente. A outra equipe de cães é treinada para achar pessoas ainda com vida. Isso é tão importante para estes cães que quando eles passam muito tempo trabalhando nos escombros, sem achar nenhuma pessoa viva, as equipes simulam numa área o resgate de sobreviventes. Eles usam pessoas que não estavam no desastre, jogam alguns entulhos por cima e deixam o cachorro farejar. Foi assim quando aconteceu a grande explosão num prédio federal da cidade de Oklahoma nos Estados Unidos. Essa encenação é importantíssima para manter o moral dos cachorros em alta.

Outra coisa muito curiosa é que dois cães nos Estados Unidos, um Golden Retriever e um Schnauzer Standard, foram treinados para farejar células cancerosas no corpo humano. Eles são capazes de farejar e indicar uma pessoa que tenha células de câncer de pulmão antes mesmo dos exames clínicos e patológicos darem resultados positivos. O projeto que estuda estes cães não visa treinar mais cães para colocá-los em hospitais, cheirando todos os pacientes, mas tentar identificar qual é o tipo de substância que eles conseguem detectar e usar o mesmo princípio para diagnosticar a doença o mais cedo possível. Ainda na área médica, existem alguns cães que foram treinados para avisar aos seus donos quando eles estão prestes a ter um ataque epiléptico. Ninguém, até hoje, sabe exatamente como é que estes cães conseguem detectar a chegada das convulsões com até 40 minutos de antecedência e sem que nenhum sinal seja detectável, mas estes cães são treinados para dar um tipo de "alarme" para que seus donos possam se preparar, deixando de dirigir, sentando-se num lugar calmo, retirando objetos que possam machucá-los como óculos ou aparelhos ortodônticos, ou até mesmo procurando ajuda médica. Muitas crianças e adultos também passaram a se sentir muito mais seguros com estes amigos peludos por perto.

É esta segurança e independência que os cães que prestam assistência aos deficientes podem oferecer como nenhum outro instrumento ou equipamento. São cães selecionados com todo o cuidado e treinados por anos para assistir deficientes visuais, avisando quando existem obstáculos e perigos no caminhos de seus donos. Cães que avisam deficientes auditivos quando um telefone está tocando (telefones especiais em que as mensagens aparecem numa tela e o deficiente pode responder por um teclado), quando alguém bate na porta, se o bebê está chorando, ou se o alarme de incêndio está tocando. Tem ainda os cães de auxílio aos deficientes físicos que podem ajudar a subir uma ladeira puxando a cadeira de rodas, pegar objetos que caem no chão, ajudar a carregar compras, ligar e desligar aparelhos, e pegar coisas nas prateleiras mais altas. Há alguns anos atrás uns destes cães de assistência usou um aparelho de telefone especialmente programado para ligar para o serviço de emergência, nos Estados Unidos, para salvar a vida de sua dona. Devido a problemas de saúde a senhora não conseguia acordar. o cão, um Setter Irlandês, "tirou" o fone do gancho, apertou com a pata a grande tecla que discava diretamente para a central da polícia e começou a latir no telefone. A polícia, que já tinha conhecimento prévio de que havia uma pessoa assistida por um cão especialmente treinado naquela área, foi imediatamente socorrer a senhora, que graças ao seu cão se salvou.

Os cães podem trabalhar duro apenas para nos entreter, atuando em filmes de cinema, televisão, participando de corridas, ou no circo. Eles também podem trabalhar sendo apenas "cães", ou seja, dando carinho, amor e conforto para os que necessitam. Já é grande, em todo o mundo, o número de cachorros que trabalham visitando velhinhos que se sentem sós em asilos, crianças abandonadas e com problemas de relacionamento e confiança em orfanatos, e pessoas com todo o tipo de doenças em hospitais.
Os cães conseguem como ninguém levantar o moral destas pessoas, simplesmente dando e recebendo carinho. O poder de aceitação e de "simpatia" destes animais é imenso. Eles nunca reclamam das próprias vidas, e ficam horas escutando pacientemente as queixas dos outros. Eles nunca fazem cara de espanto ou repulsa ao ver uma pessoa sem os cabelos, depois do duro tratamento de quimioterapia, ou depois de uma cirurgia radical. Eles simplesmente deitam suas cabeças no colo desta gente e abanam o rabo em sinal de reconhecimento e felicidade por ver um velho amigo, ou novo amigo. Eles oferecem seus pêlos macios para o carinho que pode servir como fisioterapia para mãos doloridas. Estes cães nunca perdem a paciência. E com tanta coisa bonita que um cão pode fazer pelos seres humanos infelizmente também tem pessoas que usam seus cães para participar de batalhas cruéis. Mais um cruel e duro trabalho, que eles aceitam sem reclamar.


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