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Dicas para escolher um filhote

Por Mara Kanczuk


Talvez este Lord Cão News não seja exatamente para você que já está com o seu cachorro, mas como nós cachorrolatras somos incorrigíveis, quem tem um peludo na vida, vai sempre querer outro e outro... Se você pensa em um dia ter outro cachorro ou conhece alguém que está entrando ou pensa em entrar nesta aventura, as informações a seguir certamente serão de grande utilidade e farão toda a diferença entre o sucesso e o fracasso do novo membro da família.

As pessoas são muito diferentes umas das outras, assim também são os cachorros. Existem quase 400 raças diferentes, com características comportamentais opostas, mas, mesmo entre uma mesma raça, encontramos cachorros com personalidades bem distintas. No dia a dia, vemos alguns absurdos em nosso trabalho com donos e cães, que uma simples conversa poderia ter evitado.

Uma escolha correta da raça é sem duvida muito importante. O primeiro passo, quando você já decidiu de qual raça será seu novo amigo, é conhecer alguns canis, conversar com os donos e visitar as instalações para verificar as condições da criação. É também muito importante conhecer o pai e a mãe da ninhada. Comportamento tem um forte componente genético, e conhecer os pais é uma ótima forma de prever o comportamento dos filhotes. Procure brincar com os pais, perguntar para o criador sobre seu comportamento no dia a dia, se são agressivos, tímidos, calmos.

É interessante observar também o comportamento do criador: se ele fala que a raça é perfeita; que seus filhotes são muito inteligentes; não fazem bagunça; adoram crianças; aprendem a fazer xixi no lugar rapidinho e etc., desconfie! Um bom criador não tentará engana-lo na hora de vender um filhote. Inclusive, alguns vão até mesmo desencoraja-lo para se certificar que você além de decidido, será um bom "pai" para os seus bebês. O criador que te empurra um filhote, raramente faz um trabalho sério e pode estar empurrando um tremendo abacaxi!

Há pouco tempo, visitei um canil nos EUA. Antes de me falar as vantagens daquela raça, a criadora me contou todas as desvantagens e me fez várias perguntas. Mais parecia que ela estava escolhendo um dono para sua ninhada do que eu que estava lá para escolher um filhote.

Se você já chegou nesse ponto, parabéns! A maioria das pessoas não tem tanta preocupação ao comprar um cachorrinho e a gente sabe muito bem as conseqüências da compra por impulso. Vamos então ao que interessa: Você já escolheu a raça, o criador, agora vamos escolher seu novo peludo! Existem varias formas de analisar o comportamento de um filhote. A primeira delas é observar a diferença no comportamento entre os vários membros da ninhada. Caso seja sua primeira vez e você tenha alguma dificuldade, peça ajuda para o criador que certamente tem mais experiência no assunto. Quando observamos uma ninhada, o importante é tentar perceber o papel de cada um dos filhotes nesta "matilha" e com isso identificar algumas características importantes.

Quantas vezes a gente escuta: - Cheguei na casa do criador e nem tive que escolher um filhote, o Totó que me escolheu! Foi amor a primeira vista! Ele me viu e veio correndo em minha direção todo se abanando... Ou: -Fiquei com tanta peninha, era o menorzinho, ficava todo encolhidinho no canto, os outros filhotes nem deixavam ele comer... acabei ficando com ele... Ou ainda: - Ah, era o mais esperto da ninhada, andava na frente de todos, comia primeiro, não tinha medo, era o mais forte, é claro que me apaixonei!

Pois é, todo mundo tem uma primeira impressão dos filhotinhos, mas a grande maioria não sabe o que esses sinais vão representar no futuro. O filhote que vem correndo em direção a qualquer pessoa que se aproxima, certamente vai ser um cachorrinho mais sociável, que gosta de gente, não muito medroso.

Aquele que fica no cantinho, deve ser o mais submisso da ninhada, ou muito tímido. Um cachorro que pode ser excelente se for bem estimulado, mas pode se transformar em um cachorro agressivo por ser muito medroso. O último caso também é preocupante. Um cachorrinho muito esperto, que certamente tem um grande espirito de liderança, pode se transformar numa encrenca se o dono não tiver pulso firme e muita vontade de trabalhar esse peludo. Esses cachorrinhos costumam disputar liderança com o dono e com toda família as vezes por toda vida e podem ser especialmente complicados se na casa tiverem crianças. Na maioria das vezes, o ideal é ficar com algum dos cachorros intermediários, nem o mais submisso, nem o mais dominante...

Outro dia liguei para dona de um aluno que estava dando muito trabalho, o bichinho era espertíssimo, lindo e bem engraçado, mas estava com um comportamento tão dominante que estava deixando sua dona louca. Ele a atacava cada vez que ela tentava sair de casa, mordia as visitas e começou a morder a dona gratuitamente, só pra mostrar quem é que mandava!

Depois de conversarmos um tempão, ela me confessou que escolheu o bichinho mais esperto da ninhada e que a criadora já a avia alertado que esse cachorrinho era diferente, não tinha medo de nada, mandava em todos os outros filhote e ate respondia as broncas da mãe. Apesar de tentar trabalhar com a dona pra recuperar o bichinho, ela acabou dando seu cachorro, que agora mora fora de São Paulo. Pena, era um cachorro especial, mas precisa de um tratamento especial, caso contrario se transformaria em um monstro.

Para ajudar a fazer a escolha certa, existem alguns testes de temperamento de filhotes. Apesar de controversos (muita gente acha que não funcionam) podem ser excelentes aliados no momento de decisão. Estes testes surgiram para auxiliar na seleção de cães de trabalho e mais tarde foram utilizados, com excelentes resultados, para seleção de cães guias de cegos.

O teste de Volhard é o mais usado e foi desenvolvido para identificar cães com bom potencial de obediência, mas pode ser usado para avaliar o temperamento geral de um filhote. Este teste não é muito simples e deve ser usado com cautela, muitos especialista não recomendam a sua execução por leigos. A interpretação pode ser toda distorcida se não for aplicado da forma correta. Por isso mesmo não vou transcrever o teste aqui. Vou apenas explicar alguns exercícios e o que eles significam. O ideal é que os testes sejam aplicados quando o filhotinho tem entre 7 e 8 semanas de vida, que coincide com a época que você deve traze-lo para sua casa.

Começamos colocando o bichinho no chão, em um lugar desconhecido, nos afastamos um pouco, agachamos e chamamos o pequeno com palmas e falando em um tom de voz suave a alegre. Devemos então observar como o filhotinho vem ate nós:

se ele vier prontamente, com o rabo levantado, pular e ate tentar morder a nossa mão, temos um cachorro bastante dominante.
se ele vier somente com o rabo levantado e subir no colo, é um cachorro menos dominante.
se vier com o rabo baixo, é mais submisso.
iv) se não vier, provavelmente será um cão medroso ou com pouco interesse em seres humanos.
Depois levantamos e começamos a andar:

o filhotinho dominante, irá nos seguir prontamente, com rabo levantado e mordendo o nosso calcanhar.
se não for tão dominante, só irá seguir-nos com o rabinho levantado.
se for mais submisso ficará com o rabinho baixo.
se o cachorro não seguir, será um cachorro mais independente.

Em seguida, pegando o filhotinho com todo cuidado do mundo (lembre-se ele é só um bebê e a última coisa que queremos é que ele fique assustado) colocamos deitado no chão de barriga pra cima. Colocamos então nossa mão aberta sobre o peito dele e observamos sua reação:


filhotes mais dominantes vão espernear mais, alguns vão ate rosnar e tentar morder nossa mão.
os muito tímidos, vão ficar imóveis, com o rabinho entre as pernas e ate fazer esforço para evitar olhar nos nossos olhos.
um filhotinho intermediário, vai espernear e ate ganir um pouco, parar, espernear mais um pouco, e assim ate se acalmar. Não se esqueça, é muito importante fazer isso com o máximo de gentileza possível..

Por último, pegamos o filhotinho com as duas mãos e colocamos seu rosto próximo do nosso e observamos sua atitude:
filhotes extremamente dominantes vão rosnar e tentar morder nosso rosto.
filhotes independentes, vão tentar ir embora.
filhotes muito submissos e tímidos, vão evitar contato com os olhos.
filhotes que tentarem lamber nosso nariz, são menos dominantes e que não ficam sentidos com tanta facilidade.

Bom, depois de submeter o pobre bichinho a esse batalhão de provas, vamos tentar entender qual filhotinho é melhor pra cada um de nos. Uma família com crianças ou pessoas muito tímidas com dificuldade em dar ordens devem procurar evitar filhotes muito dominantes. Os filhotes mais dominantes costumam ser também muito inteligentes, mas só escolha uma encrenca dessas se você estiver preparado para um grande desafio por toda vida e se você for uma pessoa de caráter forte. Aqueles cachorrinhos muito tímidos, também merecem donos especiais. Muitas vezes eles acabam não sendo boa companhia (ainda mais se você tiver uma criança em casa) e podem ser muito medrosos. Se você se encantou por um deles, saiba que vai ser necessário muito trabalho e muita dedicação principalmente nos primeiros meses para fazer dele um cachorrinho sociável e menos medroso.

Agora só me resta desejar BOA SORTE com o novo peludo e ficar torcendo por aqui...

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
- Fischer, Gail Tamases e Wendy Volhard. "Puppy Personality Profile" - AKC Gazette, March 1985 pp. 36-42.
- Campbell, William E. "Behavior Problems in Dogs" - American Veterinary Publications 1975.
- Pfaffenberger, Clarence J. "The New Knowledge Of Dog Behavior" - Howell, 1963.


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